Esta é a última história da Semana Especial de Primavera, que aconteceu entre os dias 17 e 22 de setembro. Hoje é dia 22, o dia em que a primavera começará oficialmente no hemisfério sul.

Para aproveitar a chegada dessa estação, compartilhei com você várias narrativas que nos aproximam das particularidades da natureza nesse período do ano.

Espero que pelo menos uma delas tenha tocado o seu coração e chegado até as crianças através da sua narração.

 

Hoje, a história vem da Austrália. É um conto contemporâneo, muito delicado, que fala de gambá meio manhoso… Aparecem, ao longo do enredo, animais diferentes: as cacatuas e o velho vombate.

 

 

Mostre para as crianças uma imagem de vombate – ele é muito fofo!

Deixo o link de um vídeo, falando sobre vombates, do qual gostei muito:

https://www.youtube.com/watch?v=B0AQWjPO2F0&index=3&list=LLuc5G5GgjgEmSM2ug3g8kWQ&t=0s

(Tem vombate no Aquário de São Paulo, pra quem se animar a ver um de perto!)

 

 

 

Bem, já estou pensando na próxima semana…

Coisa de quem gosta de histórias e não vive sem elas!

Tenha uma linda primavera!!!

Um forte abraço,
Ana Flávia Basso, do Educar com Histórias

 

O pequeno gambá que queria um pêssego

(de Chrisanthi McManus, Austrália)

 

Esta é uma história que começou faz muitos, muitos anos, numa noite no meio do inverno, quando o sol se pôs especialmente cedo e se levantou extremamente tarde. A geada era muito densa e teceu um manto  branco que cobria o chão. Certa manhã, antes do sol despertar o mundo, uma mamãe gambá e seu filhinho estavam voltando para casa, um enorme e velho eucalipto. Eles estavam muito cansados ​​e com muito frio porque tinham saído a noite toda à procura de comida.

 

“Eu ainda estou com fome!”, reclamava o pequeno gambá.”Podemos encontrar mais algumas folhas”, disse sua mãe, cansada.”Mas eu não quero folhas. Eu quero um pêssego!”, disse o pobrezinho, “ou um damasco. Uma nectarina seria bom também”.A mamãe gambá suspirou. Era bem o meio do inverno e as árvores do jardim do fazendeiro que ficavam ao lado de sua montanha estavam vazias. Nenhum pêssego, nenhuma nectarina, nenhum damasco poderia ser encontrado em qualquer lugar. Até a comida nos arbustos era escassa.

“Oh, querido”, disse a mamãe gambá, “me desculpe, mas não há mais.”

“Não há mais!”, choramingou o pequeno.

“Sim, não há mais”, respondeu a mamãe.

“Por que não há?”, ele quis saber.

 

Umas cacatuas que estavam pousadas nas árvores próximas despertaram com o ruído e voaram baixo para ver o que acontecia.

“Ei!”, gritaram, “por que fazem tanto barulho? O sol ainda não acordou”.

“Sinto muito”, disse a mamãe gambá, “é que o meu pequeno quer um pêssego”.

“Ou uma nectarina ou um damasco”, completou o pequeno gambá.

“Não há mais pêssegos!”, gritou uma das cacatuas.

“Não há mais damascos!”, gritou outra.

“Nem nectarinas!”, gritou outra.

“Não há mais!”, grasnaram as cacatuas, “não há, não há, não há”.

“Você poderia comer algumas ervas!”, sugeriu uma cacatua muito atenciosa, “nós comemos ervas ontem”.

“E antes de ontem”, grasnou outra.

“E no dia anterior”, grasnou a outra.

As cacatuas e os gambás olharam para as ervas. Estavam brancas e congeladas.

“Eu não quero erva gelada!”, choramingou o pequeno gambá, “quero um pêssego!”

 

Naquele momento, uma família de ratinhos apareceu na clareira. Eles estavam a caminho da casa do fazendeiro. Eles haviam planejado uma maneira de entrar lá. Eles também estavam com fome e esperavam escapulir sorrateiramente até a cozinha, onde havia um grande estoque de comida. Eles ouviram a conversa e pararam para ver o que estava acontecendo.”Oh”, suspirou a mamãe rato, “eu me lembro de todos os pêssegos que cresceram nas árvores do fazendeiro durante o verão! Costumávamos rastejar por baixo da cerca à noite, quando não havia ninguém. Nós costumávamos nos fartar. Mas não há mais. Não há mais nada. É por isso que estamos nos mudando”.

 

Enquanto conversavam, o sol começara a subir no céu da manhã. Um velho vombate estava voltando de sua refeição noturna. Ele chegava atrasado em sua toca porque ele teve que ir mais longe do que o habitual para conseguir comida. Ele tinha ido ao jardim do vizinho e encontrado algumas deliciosas refeições por lá. Ele se aproximou do grupo de animais que estava conversando. Eles estavam sentados perto da entrada de sua toca.

 

“O que está acontecendo aqui?”, ele perguntou.”O pequenino quer um pêssego”, resmungou uma das cacatuas.”Um pêssego?”, perguntou o vombate.”Sim! Ou uma nectarina ou um damasco “, exclamou o pequeno gambá.”Mas não há mais pêssegos!”, exclamou uma das cacatuas.”Também não há damascos!”, gritou outra.

“Tampouco há nectarinas!”, gritou a outra.

“Não há mais!”, grasnaram as cacatuas, “não há, não há, não há”.

“Talvez a Mãe Terra tenha se esquecido de nos alimentar!”, sugeriu a mamãe rato, “a comida é escassa nessa época”.

Mas o vombate era velho e tinha vivido muitos invernos frios em sua toca. “A Mãe Terra nunca se esquece de nós!”, disse.

“Mas para onde foram todos os pêssegos?”, perguntou o pequeno gambá.

“Por que não perguntamos à Mãe Terra?”, sugeriu o velho vombate.

“Perguntar a ela?”, grasnaram as cacatuas.

“Que boa ideia!”, disse a mamãe gambá.

“Mas, como?”, perguntou o pequeno gambá.

“Sim, como?”, perguntaram as cacatuas.

“Bem, disse o vombate, “vocês poderiam vir à minha toca, tenho túneis muito profundos embaixo da terra”.

Assim, o velho vombate guiou-os pelo caminho. E desceram, e desceram, e desceram. O pequeno gambá ia imediatamente atrás dele, logo a mamãe gambá e toda a família de ratinhos, até as cacatuas caminharam também, pois não queriam perder nada.

E o túnel continuava descendo, descendo e descendo, e o velho vombate desceu, desceu, desceu com todos os demais o seguindo.

“Ooohhh, está muito escuro!”, grasnou uma cacatua.

“Sim, muito escuro”, disse outra.

Mas, ainda assim, o velho vombate seguiu avançando.

 

Depois de muito tempo, o túnel se abriu ao chegar ao que parecia ser uma grande casa. Era a residência de inverno da Mãe Terra, onde muitos dos filhos dela dormiam durante o inverno. Ela estava ocupada ajudando os gnomos trabalhadores a cobrir as sementes-bebê em camas macias e confortáveis.

Todos levantaram o olhar quando viram os animais. “Ah, visitantes!”, disse a Mãe Terra com um sorriso muito alegre, “em que posso ajudá-los?”

O velho vombate falou: “Este jovenzinho aqui”, disse enquanto apontava para o pequeno gambá, “quer um pêssego”.

“Sim! Ou uma nectarina ou um damasco”, exclamou o pequeno gambá.

A Mãe Terra sorriu. Então é disso que se trata?”, perguntou com um brilho em seus olhos.

“Sim”, continuou o pequeno gambá, “mas não há mais”.

“Não há, não há, não há”, grasnaram as cacatuas.

“Por que não há, Mãe Terra?”, perguntou o pequenino.

“Bem, os pêssegos são frutas do sol, pois necessitam dele para que fiquem doces e suculentos. Mas o sol está em seu caminho invernal e, por isso, este é o momento em que a natureza está em seu descanso de inverno. Os pêssegos também estão descansando. Eles despertarão quando o sol voltar a aquecer a terra. Quando os dias forem longos e quentes, então, haverá pêssegos nas árvores “.

“Mas estou com fome agora!”, disse o pequeno gambá tristemente.”Eu sei”, disse a Mãe Terra carinhosamente, “mas não fique triste. Eu tenho um armazém de comida de inverno para que meus filhos que não dormem possam comer”. E se aproximou de um de seus gnomos trabalhadores, que em seguida trouxe um maravilhoso banquete para os animais. Havia nozes, amoras, algumas frutas que o sol tinha secado, resina de acácia caramelizada e muitas outras comidas deliciosas da montanha.”Muito obrigado, Mãe Terra!”, disseram o pequeno gambá e seus amigos.“Agora você deve esperar pacientemente por seu pêssego, pequeno gambá. Você deve ser paciente enquanto a terra repousa”.”Por quanto tempo tenho que ser paciente, Mãe Terra?”, perguntou o pequeno gambá.

 

“Bem, quando você vir as acácias florescerem na montanha, você saberá que o Pai Sol está começando seu caminho de volta e que é hora das frutas despertarem”. Então, a Mãe Terra desejou aos animais uma boa viagem e eles começaram sua longa jornada de volta para suas casas na montanha.Agora, todos os dias, o pequeno gambá procura os primeiros botões das acácias e, quando os vê, sabe que o Pai Sol começou seu caminho de volta para aquecer a terra e que em breve haverá mais pêssegos nas árvores para que ele possa comer.

 

Para ver a história anterior, clique  AQUI!

10 thoughts on “Semana Especial de Primavera – 6a História

  1. Grata por compartilhar tão rico texto. Pude ler para o meu filho bem na noite de hoje (22/09). Me sinto muito felizarda por tamanha sincronia!

    1. Ah, Magnes! Que feliz sincronia! Sinto que a primavera de vocês já está abençoada! Obrigada por me dar essa notícia. Bjos

  2. Acho que é a primeira vez que vejo a mãe Terra participar ativamente de uma história. Adorei! Muito obrigada por fazer essa semana ser mais florida. Beijos

    1. Oi, Aline! Isso é raro mesmo! E nessa narrativa, ela aparece de forma muito delicada, bonita e respeitosa. Eu também adorei e tive que compartilhar! Muitas flores para nós na primavera e… sempre! Bjos

  3. Olá!
    Agradeço muitíssimo por tanta sensibilidade na escolha das histórias. Os meus alunos amaram!
    Também gostaria de compartilhar uma experiência: na nossa roda de conversas, após as histórias, falamos sobre a primavera que chegaria, combinamos de plantar sementinhas de girassol. Eles as viram germinando e levaram as mudinhas de presente para as famílias na véspera da entrada da primavera, junto com a poesia O Girassol, de Vinícius de Moraes. Foi linda a experiência!
    Beijos e obrigada por essa riqueza de histórias.
    ps, você conhece alguma história sobre o girassol?

    1. Nossa, Rejane, que trabalho bonito você fez! Tenho certeza de que as crianças levarão essa experiência no coração. Assim, de cabeça, não me lembro de uma boa história sobre girassol. Mas vou pesquisar. Se achar, entro em contato!
      Uma alternativa possível seria usar a 5a história que fala de uma violeta e mudar para girassol, mudando a cor também. E, ao final, dizer que era uma flor que sempre queria olhar para o sol e nunca mais se esqueceu do seu nome. Algo do tipo… bjo

      1. Amei a dica. Vou fazer isso sim. Muito obrigada mesmo, beijos

  4. Nossa que lindeza! Hoje à noite minhas pequenas vão conhecer novos animais, saber que a espera é importante e que quem tem am8gos, nunca estará sozinho nos momentos de espera. Muito obrigada!

    1. Olá, Reina!
      As histórias nos levam para reinos distantes, lugares inesperados e aventuras inimagináveis! Que bom saber que a história te conduziu a uma viagem encantadora. Bjos

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *