Semana Especial – Histórias de Anões, Duendes e Gnomos, de 20 a 25/08/2018.

 

A narrativa que escolhi para hoje eu conheci em inglês e gostei dela pela leveza com que aborda o tema da preguiça, da falta de determinação e vontade de fazer coisas, de pôr a mão na massa. A única informação que tenho é o nome da autora, Dorothy Harrer.

Traduzi o texto e o transformei, adaptando-o para ser contado para crianças menores de 7 anos.

Espero que goste. E amanhã seguimos com outra história!

Um forte abraço,
Ana Flávia Basso, do Educar com Histórias

 

O Gnomo preguiçoso”

 

Existiu, certa vez, um gnomo que não gostava de trabalhar. E isso pode soar estranho, mas a maioria dos gnomos só fica feliz quando está ocupada com suas pás e seus machados, cavando a terra. No outono, eles fazem canteiros na terra para as Sementinhas dormirem. No inverno, eles procuram por tesouros de ouro e prata e pedras preciosas para o Rei dos Gnomos. Na primavera e no verão, eles cavam o chão para torná-lo fofinho e aerado, deixando entrar o calor do sol e a chuva e, assim, as Sementinhas poderem respirar, beber e crescer em direção ao sol.

Embora a maioria dos gnomos goste de seus trabalhos, este era preguiçoso e arranjava tanto problema para se livrar das suas tarefas, que acabava gastando todo o seu tempo com isso. Ele se escondia dos outros entre as profundas raízes das árvores. Se o encontrassem, ele fingia estar ajudando as Sementinhas ou estar procurando por diamantes e rubis.

Ele nunca levantava uma pá ou um machado e, se precisasse fazê-lo, logo os largaria assim que ninguém mais estivesse olhando. E então ele se sentaria e ficaria sem fazer nada.

Um dia, O Rei dos Gnomos foi até ele, enquanto ele estava sentado sem fazer nada. “Que tipo de gnomo é você?”, o Rei gritou, com raiva. “Por que você não cuida do seu trabalho? Essa é a época do ano em que a caça ao tesouro acontece. Você não vê como os seus irmãos estão ocupados trabalhando?”

“Senhor”, respondeu o gnomo, “eu estava me preparando para começar a trabalhar”.

“Onde estão a sua pá e o seu machado?”, perguntou o Rei.

“Eu os perdi em um buraco fundo, que eu cavei à procura de joias”.

“Onde fica esse buraco?”

“Longe daqui, Vossa Majestade, tão longe que não consigo mais encontrá-lo”.

“Você é um mentiroso!”, falou o rei Gnomo. “Não há serventia para mentirosos nesse reino. Eu ordeno que você deixe o meu reino e não volte até que você possa me trazer doze diamantes a cada dia”.

Então, o gnomo preguiçoso teve que partir. Ele não podia ficar com seus companheiros embaixo da terra. Ele foi para a superfície da terra e encontrou uma árvore oca por onde ele rastejou e foi dormir.

Quando ele acordou, a primavera tinha chegado. Ele olhou para fora do buraco para ver tudo verdinho no campo ao redor. As cores mais bonitas preenchiam o campo – rosa e amarelo e violeta e azul e alaranjado! Estas eram as flores do campo. Pra cá e pra lá e entre as flores voavam as Fadas do Sol douradas, trazendo raios de sol para cada flor, para ajudá-las a florescer.

Elas cantavam enquanto voavam. Às vezes, elas davam as mãos e flutuavam em um alegre círculo ao redor de uma flor. Oh, que momento gostoso elas estavam tendo – cantando, dançando, deslizando, voando – e elas eram tão bonitas que o gnomo desejou brincar com elas e ser uma delas.

“Deixe-me brincar com vocês”, ele falou para um círculo de Fadas do Sol. “Deixe-me brincar também!”

“Nós não estamos brincando”, elas riram. “Nós estamos trabalhando. O nosso trabalho é ajudar as flores a crescerem no campo. Quando elas florescem bem, nós ficamos felizes!” Então, todas elas voaram em direção ao sol para pegarem mais raios de sol. “Bem”, pensou o gnomo preguiçoso, “elas são muito bobas por estarem tão felizes enquanto trabalham. Como o trabalho poderia ser tão divertido?” E quando ele pensou em seus irmãos embaixo da terra, cavando túneis para a água e o ar, para as Sementinhas, ele ficou feliz por não estar lá.

O gnomo rastejou, saindo do seu buraco na árvore e cruzou o campo até chegar a um riacho. O riacho fluía e, chegando a uma saliência rochosa, caía e se transformava em uma cachoeira reluzente. Lá, entre as gotículas brancas brilhantes, o gnomo viu algumas Fadas da Água que estavam subindo e afundando para aproveitar a queda d’água. Elas, também, estavam cantando e rindo com alegria enquanto espirravam a água que salpicava no ar. Que divertido deve ser brincar na cachoeira com elas! pensou o gnomo. “Deixe-me brincar com vocês!”, ele falou para elas.

Elas o escutaram, riram e responderam, “Nós não estamos brincando. Nós estamos trabalhando. O nosso trabalho é enviar a água para cima, em direção ao céu, até que tenha o suficiente para fazer uma nuvem de chuva bem grande e escura. Assim, a chuva cairá para ajudar as Sementinhas a crescerem”. Então, com uma exclamação de alegria, elas desapareceram ao longo do riacho para encontrar um outro lugar para trabalhar, deixando o gnomo sozinho.

“Como pode ser tão divertido trabalhar arduamente?” ele pensou. “Eu queria encontrar algo que fosse divertido para fazer”.

Agora o pôr-do-sol e o céu azul tornavam-se mais azuis e azuis e mais escuros e escuros até que ficou bem escuro. Que sentimento estranho ele teve! Ele estava completamente sozinho e muito longe de casa. Ele começou a sentir saudades de casa, mas ele sabia que se voltasse ao reino dos gnomos, ele teria que pegar um machado e trabalhar para o Rei dos Gnomos. Nunca, nunca! Ainda assim, seria bom ter pelo menos um companheiro.

Ao olhar para cima, em direção ao céu, ele viu algo brilhante – uma luz, muito alta, cintilante e reluzente, oh, tão longe, lá no alto. Logo outra apareceu, então muitas outras até que todo o céu estava brilhando com estrelas de luz. Enquanto olhava tudo aquilo, o gnomo viu uma nuvem de fadas velozes voando como o vento, todas cobertas com uma luz cintilante e carregando em suas mãos montes do que parecia ser pó prateado. Elas estavam com muita pressa, mas estavam fazendo lindas figuras de luz no ar.

Enquanto as fadas voavam sobre o chão perto dele, ele ouviu um zumbido delicado como o som do vento soprando entre as árvores. As fadas estavam cantarolando enquanto voavam e em seus rostos havia sorrisos de alegria.

“Para onde vocês estão indo?”, gritou o gnomo. “Deixe-me ir com vocês”.

“Isso não é possível,” elas responderam, “pois nós somos seres do ar e você é um gnomo da terra”.

“Então, apenas deixe-me brincar com vocês”, ele implorou.

“Oh, nós não temos tempo para brincar. Antes do sol nascer novamente, nós devemos carregar poeira estelar para cada parte do mundo. Ninguém na Terra acordaria feliz e contente se nós não espalharmos poeira estelar todas as noites”. E assim, elas voaram, mais rápido do que nunca para realizar o seu trabalho.

“Ninguém tem tempo para mim!”, reclamou o gnomo indignado, e ele não sabia para onde ir ou o quê fazer. Surpreendentemente, ele não queria ficar sentado, sem fazer nada. Então, ele foi tropeçando sem olhar para onde estava indo e caiu dentro de um buraco fundo no chão. No fundo do buraco, ele se sentou, olhou ao redor e escutou. Por perto, ele ouviu um som: “Tic-tac, tic-tac, tkk.” Ah! Ele sabia como os machados soavam, cavando a terra fofa. Então, ele ouviu algumas vozes alegres cantando,

                    Dig-déu! Dig-déu!

                    Nós cavamos a terra se-ca

                    E as sementes podem crescer

                    Até alcançarem o alto do céu

                   Dig-déu! Dig-déu!

 

“Eles estão firmes no trabalho!” murmurou o gnomo preguiçoso. “Eles parecem felizes também, como os outros: as Fadas do Sol, as Fadas da Água e as outras que voavam com o vento e a luz das estrelas”. Então ele pensou, “Se nós não fizermos o nosso trabalho aqui embaixo da terra, os outros não encontrarão nada para cuidar lá em cima”.

Antes mesmo de terminar, ele estava correndo em direção ao som dos machados e o que aconteceu em seguida foi completamente inesperado. O gnomo preguiçoso se juntou aos gnomos trabalhadores e, pegando um machado, começou a movê-lo e cantar,

                    Dig-déu! Dig-déu!

                    Nós cavamos a terra se-ca

                    E as sementes podem crescer

                   Até alcançarem o alto do céu

                   Dig-déu! Dig-déu!

 

E depois disso, ele nunca mais foi preguiçoso de novo.

 

Link para a história anterior AQUI

10 thoughts on “Semana Especial – 2ª história sobre Anões, Duendes e Gnomos

    1. Olá, Eliana! Bom ver que está acompanhando e se encantando com as narrativas que selecionei! Abraços!

  1. Estou facinada nas historia ,esta do guimono preguiçoso e linda .

    1. Olá, Joelma! Que maravilha saber que está acompanhando e gostando das histórias! Esta do Gnomo Preguiçoso é uma preciosidade – diverte e ensina ao mesmo tempo! Abraços, Ana Flávia

    1. Olá, Eveline! Que bom que gostou da história! Agradeço o carinho comigo e com o trabalho que venho compartilhando com vocês. Um forte abraço.

  2. “Dig-déu! Dig-déu!

    Nós cavamos a terra

    Para a semente crescer

    Até o alto do céu

    Dig-déu! Dig-déu!”
    Pra contar em voz alta fica mais bom assim…

    1. Olá, Karina! Que bom que criou a sua versão! Quando a gente traduz, tenta respeitar o autor. E ver novas possibilidades enriquece nosso olhar. Obrigada.

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