Quem nunca enfrentou uma noite daquelas com o filho, levante a mão!

Tem dias em que a gente chega exausto do trabalho, sonhando apenas com uma bela noite de sono rejuvenescedor e…

… passa a noite em claro, acudindo um pesadelo, convencendo o filho a voltar para a sua cama ou mesmo tentando DE TUDO para que ele pegue no sono.

E nada de sono rejuvenescedor…

Bem, isso acontece com quem tem filho pelo menos uma vez na vida. Pelo menos.

 

A questão é que os problemas noturnos têm aumentado significativamente, não só com os adultos, mas com as crianças também. Cada vez mais crescem as queixas dos pais quanto à agitação dos filhos ao longo da noite.

Segundo a Associação Mundial de Medicina do Sono, a insônia é uma epidemia global que ameaça a saúde e a qualidade de vida de até 45% da população mundial. E, de acordo com o site da Associação Brasileira de Medicina do Sono, de 20 a 30% das crianças entre 5 a 12 anos de idade têm um pesadelo a cada 6 meses.

 

Isso só falando de pesadelos, sem contar outros distúrbios do sono como terror noturno, sonambulismo, bruxismo, despertares confusionais, dificuldade para dormir, medos, ‘manipular’ os pais para dormir na cama deles…

Quando as noites ficarão tranquilas e todos da casa dormirão?

 

A CRIANÇA “DO DIA” E A CRIANÇA “DA NOITE”

 

O contar histórias é comumente associado à hora de dormir: que gostoso quando a gente é criança, se prepara para dormir e sabe que ouvirá uma história para embalar os nossos sonhos.

Mas, “na vida real”, a hora de dormir nem sempre é tranquila. Para muitas famílias, é a hora do desespero total: crianças que não querem dormir, crianças que têm medo do escuro, chantagens para dormir na cama dos pais, pesadelos… e pais que também acabam não descansando.

Além disso tudo, nós somos levados por nossa rotina, com seu ritmo que se acelera cada vez mais. E nossas noites ficam também corridas e cansativas, com as crianças se deitando cada vez mais tarde e a vida familiar entorpecida pelas telas e celulares.

E é então que a gente percebe que conhece bem a nossa criança “do dia”, com seus brinquedos na mão, seus movimentos corporais, seu sorriso, sua comunicação, seus carinhos…

 

 

 

Mas que a gente não conhece a nossa criança “da noite”, que está despida de seus hábitos sociais, vestida com seu pijama, prestes a ficar sozinha em seu sono, sem seus pais, com sua imaginação e seus medos.

 

 

 

O primeiro passo é observar como é a sua criança à noite:

  • como ela se comporta antes de dormir (se fica mais agitada, se gosta de muitos rituais do sono, se vai para a cama com facilidade mas demora para pegar no sono…)
  • olhá-la enquanto dorme (se costuma se mexer muito, se acorda no mesmo lugar, se transpira demais…)
  • como é o seu despertar (mais ou menos lento, de bom ou mau humor, com ou sem disposição).

 

Enfim, primeiro temos que observar, conhecer o ANTES, o DURANTE e o DEPOIS do sono.

Tem uma historinha que mostra para a criança como os animais também dormem e que todos nós temos que dormir para descansar e se preparar para o dia seguinte, que será muito especial!

 

Noites de Inverno

 

As noites compridas de inverno, escuras e silenciosas, fizeram-se para dormir.

Os carneiros e as vacas regressam cedo ao estábulo de telhado vermelho. As galinhas sonolentas adormecem ao sol posto, entufando as penas para se aquecerem. O gato enrosca-se na palha, com preguiça de caçar os ratos que se escondem nas fendas das paredes ou a coruja velha que olha para os lados.

Os homens também se deitam cedo depois do longo serão de inverno. Os meninos e as meninas dormem nas suas caminhas quentes, enquanto lá fora o campo se cobre de uma espessa camada branca para lhes fazer uma surpresa ao acordar.

Certos animais dormem desde os primeiros frios até a primavera. É assim que fazem o urso e o cágado. Quanto ao esquilo e ao ouriço, esses estão mais tempo a dormir que acordados.

Mas outros animais têm fome durante as noites frias e compridas do inverno. O coelho medroso foge aos saltos, procurando raízes e tronquinhos novos para roer. O furão desliza no escuro, à espera de apanhar um coelhinho imprudente. E a raposa corre por cima do rio gelado, pronta para saborear um furão em seu pequeno almoço.

Por isso, de manhã, quando os animais da fazenda principiam a se mexer, quando os meninos e as meninas abrem a boca, espreguiçando-se nas suas camas, a neve branca está já marcada pelas pegadas de todos esses animais noturnos.

 

MEDO DO ESCURO: UM DOS MAIS ANTIGOS

 

O medo do escuro, assim como o medo de cair e o medo da morte, são os medos mais antigos entre os seres humanos. E o medo do escuro é um dos mais comuns entre as crianças.

Mesmo que possa parecer algo irracional, o medo do escuro não é um simples capricho da criança. Quando uma criança diz “Está escuro, tenho medo”, precisamos levar a sério o que ela expressa.

 

 

Com 3 ou com 6 anos, é normal ter um pouco de medo do escuro e esse medo pode perdurar por muito tempo ou por toda a vida!

 

Alguns adultos se sentem oprimidos quando cai a noite, precisam de um abajur no quarto, uma porta aberta e alguns até não conseguem dormir sozinhos!

 

Mas, geralmente, quando a criança cresce e desenvolve a sua vida psíquica, ela lida melhor com esse medo e consegue se defender melhor dele e se acalmar.

 

 

Como educadores, é importante sabermos acolher a criança e seu medo, mas também deixar que ela aprenda e consiga lidar com ele, para que possa amadurecer e sentir que está crescendo e conseguindo superar dificuldades.

 

A seguir, uma história de um gatinho que fica com medo do escuro. Quando a gente fala, através de uma história, sobre um medo que a criança possa ter, ela tem a chance de se identificar com a personagem da história e perceber que não é só ela quem sente o medo.

Colocar um medo em imagens e palavras ajuda a distanciá-lo de nós, a elaborá-lo, a clarear as próprias emoções, a tornar o que acontece dentro de nós mais compreensível e nos enchermos de coragem para enfrentar o que quer que surja no nosso mundo interior.

 

Luzes na escuridão

Certa noite, um gatinho preto foi passear sozinho pela primeira vez. Cheirou o perfume daquela noite (de verão). Escutou os ruídos da noite. Foi mirar-se num pequeno charco negro e viu duas luzes redondas e brilhantes a fitarem-no.

– Que é aquilo? – exclamou, dando um salto para trás.

Depois, voltou a olhar, e reparou que as duas luzes eram os seus olhos redondos a cintilar na escuridão.

– Era eu, afinal! – exclamou, rindo. E lançou um olhar de desafio à noite cerrada.

Nesse momento, viu a sua volta, na relva, por entre as moitas, dezenas e dezenas de luzinhas que brilhavam e piscavam no escuro.

Que seria? Pirilampos pequeninos… mas o gatinho preto não sabia.

Porém, não fazia tenção de se deixar assustar outra vez. Ah, não!

Portanto, disse para consigo: “É simplesmente uma ninhada de gatinhos pretos com olhos brilhantes, como os meus”.

E o gatinho preto sentiu-se tão valente, tão importante, que subiu na arvore mais próxima para ver o que havia no meio da escuridão da noite. Lá de cima, avistou uma luz redonda, muito grande, que brilhava por cima do monte.

Era a Lua… mas o gatinho não sabia.

E não perdeu tempo a fazer perguntas.

-É um grande gato preto – disse ele. – Um gato preto muito grande…, mas não gosto nada do modo como ele olha para mim com aquele grande olho a luzir.

Então, saltou da árvore, deitou a correr pela relva escura, pegando um atalho.

Meio minuto depois, arranhava a porta de casa!

E assim que lhe abriram a porta, o gatinho preto esgueirou-se lá para dentro, com o rabo no ar, o pêlo em pé. E pensou que só depois de muito tempo é que tornaria a passear de noite, pois a noite era escura demais para um gato pequeno sozinho.

 

 

 

A NOITE E O MUNDO INTERIOR DA CRIANÇA

 

A noite nos coloca em contato, adultos ou crianças, com nossa solidão, com as desordens do nosso mundo interior e com as nossas elucubrações inquietantes. Tudo fica quieto. O que resta fazer?

 

 

Para os pequenos, é a hora em que os medos e os monstros invadem o seu quarto, povoando sua imaginação e trazendo alguns problemas do sono.

 

Ah, mas isso não acontece só na sua casa! Os problemas do sono fazem parte do desenvolvimento normal de uma criança!

Sim, fazem parte. Mas quando eles se instalam ao longo do tempo, podem ser considerados “distúrbios”.

 

 

Atravessar a noite é uma das grandes provas da vida e cada criança aprende a enfrentá-la como pode. É uma prova porque essa travessia implica, para a criança:

– numa separação dos pais, por um longo tempo;

– na aprendizagem da capacidade de ficar só;

– num mergulho no escuro, com a angústia que isto pode suscitar;

– na experimentação da sua onipotência (até onde posso dispor de meus pais?)

e muitos outros desafios a serem superados.

 

Para as crianças, é o momento em que o que foi vivenciado ao longo do dia – suas relações com os pais e irmãos e suas experiências na escolinha com colegas e professores – se transforma em inquietações e medos. E esses medos adquirem formas na linguagem de uma criança: bruxas, lobos, ogros, fantasmas, zumbis, monstros…

Muitas vezes, essas personagens tão conhecidas do mundo das histórias retratam a angústia de separação ou de abandono, medo de não ser amado, medo de não ser mais o único queridinho dos pais, medo de que aconteça algo aos pais e não possa mais contar com eles, medo da cólera que surge dentro de si em algumas situações, medo do ciúme do irmãozinho que começou a andar e mexe em seus brinquedos, medo do papai que chega em casa do trabalho sempre gritando, medo da morte de um ente querido ou de um animalzinho de estimação, medo de que alguém amado adoeça…

O mundo interior irrompe nesse momento em que a noite cai e a criança se percebe sozinha, diante do escuro que se torna mais escuro.

Conheça uma história que fala sobre o escuro e os medos que podem surgir:

 

De noite

 

O Zé não consegue adormecer. Quem lhe dera que a noite não fosse tão escura, quem lhe dera que os ruídos e as sombras não fossem tão assustadores quando está sozinho no seu quarto!

E, finalmente, quem lhe dera que as coisas não parecessem tão grandes e tão escuras!

Mas, de repente, lembra-se de outra noite, uma noite de verão passada no bosque, onde tinha ido acampar com o seu pai.

A noite estava escura e cerrada como agora. E a cama de campanha do Zé era muito menos macia e cômoda que a do seu quarto. Havia no bosque sombras estranhas, ruídos misteriosos e uma espécie de voz a chamar que devia ser a de uma coruja: uu! uu! uu! uu!

Que medo teve o Zé nessa noite! Talvez tivesse até estremecido debaixo do cobertor.

Então, o pai dissera-lhe baixinho:

– Zé, não parece mesmo que as árvores se inclinam para nos proteger?

O Zé levantara a cabeça. Lá em cima, lá muito em cima, vira as grandes árvores; no céu escuro brilhavam estrelas.

Sim, parecia realmente que as árvores protegiam o Zé e o pai. Uma brisa leve fazia mexer as folhas, entoava uma música muito suave, como se fosse uma canção de embalar.

O Zé já não sentia medo.

– Pai – disse ele, – está ouvindo  a coruja? Parece que tem sono e quer dar-nos ‘boa noite’.

Depois adormecera logo, no meio do bosque, daquele bosque tão cerrado que o protegia.

E, de repente, o Zé pensou nas estrelas. Com certeza estão a brilhar por cima da casa. No jardim há árvores que se inclinam e a brisa a entoar uma canção suave, como uma canção de embalar.

E pondo-se à escuta, parece mesmo que se ouve a voz da corujinha que tem sono: uu! uu! uu! Então o Zé dá-lhe ‘boa noite’, adormece e tem lindos sonhos.

 

 

O QUE VIVENCIO DURANTE O DIA INFLUENCIA O MEU SONO?

 

É importante lembrarmos que os pequenos problemas noturnos começam nas vivências diurnas e que os “monstros” da noite se nutrem de tudo o que se passa ao longo do dia.

Crianças que assistem muita televisão ou ficam horas em joguinhos ou celulares recebem muitas imagens e informações ao longo do dia, o que pode atrapalhar a qualidade do seu sono.

Crianças que se movimentam pouco, ficando sentadas na maior parte do dia, perdem a oportunidade de correr, brincar, experimentar movimentos novos, tomar posse do corpo e coordená-lo com harmonia. Antigamente, dizia-se “não gastou energia”. Na verdade, é à noite que o corpo se restabelece, em que a criança cresce e cria memória daquilo que aprendeu e vivenciou.

A neurologista Andrea Bacelar, especialista em medicina do sono, explica que:

“Sono reparador é aquele em que o indivíduo desperta com um bem-estar físico e mental, ou seja, as funções mentais e as funções físicas estarão muito bem no decorrer daquele dia. (…) O sono conserva a energia, consolida a memória. Quando a gente nasce, os nossos neurônios não estão completamente formados. Enquanto o bebê está dormindo, o cérebro está amadurecendo, o sistema nervoso central está amadurecendo como um todo. Quando o tempo total de sono da criança é menor do que o necessário, temos um comprometimento em seu crescimento, em seu desenvolvimento. (…)

Nós temos um hormônio chamado ‘hormônio do crescimento’ que só é produzido durante o sono e durante o sono profundo. Além disso, o metabolismo é regenerado durante o sono. Então, crianças que dormem pouco e crianças que dormem mal tendem a serem mais obesas, porque esse metabolismo começa a ficar alterado”.

 

Assim, dormir mal compromete o desenvolvimento da criança como um todo, seu metabolismo, seu aprendizado, a possibilidade de dormir na casa de outras pessoas, seu humor…

Segundo a mesma médica, a cada idade temos uma necessidade média de horas de sono. Vejamos no caso das crianças e adolescentes:

 

IDADE HORAS DE SONO
Até 2 anos De 14  15 horas de sono + 2 cochilos (manhã e tarde)
De 2 a 5 anos Pelo menos 12 horas de sono + 1 cochilo
De 5 a 10 anos 12 horas de sono (cochilo opcional)
De 10 a 13 anos 11 horas de sono
De 13 a 18 anos 10 horas de sono

 

 

Por isso, para garantirmos uma boa noite de sono, é importante cuidarmos:

– das atividades da criança durante o dia, trazendo um ritmo diário harmonioso para elas

– cuidarmos do momento de ir dormir, o chamado ‘ritual para o sono’

– atentarmos para a quantidade de sono e de sua qualidade também.

 

Abaixo, uma história de um ursinho que não queria fazer a sesta, ótima para estimular um cochilo ao longo do dia. (Atenção: adaptar o português de Portugal do texto para a sua forma de falar ao contar a história!)

 

O urso que não queria dormir

Durante o inverno, todos os ursinhos faziam uma sesta (cochilo) muito comprida. Mas um deles ficou acordado.

Experimentou ir fazer um campeonato de saltos com os alegres coelhinhos. Mas os saltos não são brincadeiras para ursos. Cansou-se e procurou outra coisa.

Encontrou os raposos, dois raposinhos ruivos que andavam a brincar às escondidas. O ursinho esteve a brincar com eles, atrás dos muros de pedra, atrás dos montes de palha e no bosque. Mas os raposos esconderam-se atrás de uma moita e o ursinho não foi capaz de os encontrar. Os raposos saíram do seu esconderijo e fizeram troça dele.

Jogar às escondidas (brincar de esconde-esconde) também não era brincadeira para ursos. Foi-se embora.

Dois esquilos quebravam bolotas. O ursinho aproximou-se.

– Queres bolotas? – perguntaram amavelmente os esquilos. – Toma! Serve-te à vontade.

Mas por mais que lhe oferecessem bolotas abertas, o miolo era muito duro e tinha um gosto demasiadamente amargo para um ursinho. Aquilo não era alimento para ele. Não gostava de bolotas.

Para mais, sentiu de repente tanto sono que começou a abrir a boca.

Então, os esquilos abriram também a boca e abriram igualmente a boca os coelhos e os raposos ruivos.

“Vamos dormir a sesta, disseram para consigo. E deitaram-se um bocadinho depois do almoço.

Mas o ursinho adormeceu tão profundamente que dormiu até a primavera.

Quando acordou, já todos os outros ursinhos o chamavam para ir correr lá para fora, para as brincadeiras próprias dos ursos.

 

 

ENSINANDO A CRIANÇA A DORMIR E GOSTAR DE DORMIR

 

Quando a noite se aproxima, estamos num período do dia que é frágil e precioso para o nosso equilíbrio. E nem nos damos conta disso.

Os dias passam e nem sequer notamos o momento de transição do dia para a noite, como se fosse algo trivial. Mas vivenciamos um dos mistérios da natureza.

 

E podemos ensinar as nossas crianças a perceberem esse momento, mostrando como a cor do céu está mudando, como o sol vai se deitar, os passarinhos também vão descansar, alguns bichinhos dormem e outros vão ficar acordados durante à noite, como as estrelas e a lua vão surgindo no céu até que ele vai ficando bem escuro…

 

São muitas imagens que a criança vê com seus olhos e pode entender que algo está acontecendo na  natureza fora dela. Portanto, é hora de descansar também.

 

 

Além de observar essas transições, podemos ensinar as crianças a se familiarizarem com o mundo da noite. Quando se tem 3 ou 9 anos, podemos realmente aprender a transformar a própria cama em um casulo do sono, em um ninho aconchegante, um prazer. E assim, fazer da noite uma aliada, onde convivem monstros, sonhos e devaneios.

 

Como?

A primeira coisa é se tranquilizar internamente e confiar que a sua criança conseguirá ficar sozinha durante a noite, sem a sua proteção e seus cuidados. Entregá-la ao mundo da noite e dos sonhos, sabendo que tudo ficará bem e que o próximo dia será ótimo!

Além disso, há dicas práticas que vão tornar as noites da sua casa muito mais tranquilas e aconchegantes:

 

  • comer, pelo menos, 2 horas antes de se deitar, para ter tempo de fazer a digestão. E comer alimentos leves no jantar!

 

  • diminuir as luzes da casa, mostrando que além do céu ter escurecido, sua casa também está se preparando para dormir. Abajures e luminárias podem trazer esse clima de recolhimento.

 

  • silenciar a casa com atividades mais tranquilas e não usar mais os eletrônicos (TV, computadores, celulares). Sei que parece difícil, mas são escolhas que fazemos para ensinar nossas crianças a cuidarem de si próprias.

 

  • aromatizar a casa  ou o quarto com uma essência de lavanda, por exemplo. Um cheirinho gostoso pode facilitar o relaxamento e o sono.

 

  • colocar algum bichinho ou brinquedo predileto para dormir antes de ir se deitar, em uma caminha feita com carinho, dando beijo de boa noite em seu amiguinho que também irá dormir. (Assim como você fará com sua criança mais tarde).

 

  •  no frio, preparar uma bolsa de água quente e colocá-la onde a criança se deitará, para deixar a cama quentinha. Isso traz um aconchego e vontade de não sair mais da cama! Existem bolsas de água quente em formato de bichinhos de pelúcia, feitas especialmente para crianças. Mas pode ser uma tradicional!

 

  • depois do banho, fazer uma massagem na criança, com um óleo gostoso ou um creme delicado. Massagear os pés, as pernas, as costas… Isso trará um relaxamento físico pra embalar qualquer sono. (Quem não gostaria de uma massagem antes de dormir?)

 

  • contar uma história com belas imagens. (Essa é a melhor dica!) Saber escolher histórias para a hora de dormir fará com que a criança relaxe sua mente e suas emoções. E o próximo post será sobre a escolha dessas histórias, aguarde!

 

  • cantar uma cantiga ou canção de ninar que marque a hora de dormir e traga bons pensamentos. Uma melodia agradável pode nos embalar para um bom sono.

 

  • falar junto com a criança um verso, oração ou poesia, agradecendo pelo dia e se preparando para o sono.

 

  • olhar nos olhos da criança com carinho e dar um bom beijo de boa noite.

 

Essas são algumas ideias que você poderá experimentar. Mas não tente implementar todas e de uma só vez, senão o ritual de dormir ficará muito comprido para você e para a criança.

Escolha o que for possível fazer de forma tranquila e repita por alguns dias. Avalie se houve melhoras ou se você precisa de mais tempo para avaliar. Quando se tornar um hábito agradável, você verá se é preciso ou não inserir outra atividade no ritual de dormir.

Quando minha filha era pequena, ela tinha que se deitar entre 19h e 19h30, pois precisaria de uma boa quantidade de sono e teria que acordar cedo para ir à escola. Para que uma criança durma nesse horário, às 17h temos que começar o preparo para o sono: jantar, brincar mais um pouquinho, guardar os brinquedos, tomar banho, colocar o pijama, olhar o céu, receber uma massagem, ouvir uma história… Isso é o que eu fazia (ou pedia para a babá fazer quando não estava em casa) e deixo como exemplo. Você saberá o que é possível dentro da sua realidade e o que é melhor para a sua criança.

 

 

Pode parecer que dá trabalho, mas será um investimento na qualidade do sono do seu filho para o resto da vida. O ritual de dormir não é um luxo. É um dos rituais íntimos da família mais importantes para a criança. Além do vínculo profundo que se cria, dormir é uma das funções fundamentais para o desenvolvimento e a saúde de um ser humano.

O ritual do sono traz segurança à criança e a ajuda a embarcar serenamente no reino dos sonhos. E é um doce momento de contato com os pais, de lindas memórias e cumplicidade.

Garanto que depois que se tornar um hábito, será um grande prazer para vocês!

Lembre-se: é nossa tarefa ensinar muitas coisas ao longo do dia (andar, falar, comer, brincar, higiene, socializar…). Mas também precisamos ensinar a dormir, a relaxar, ainda mais nos tempos acelerados de hoje.

Tenham todos uma boa noite!

 

Ana Flávia Basso, do Educar com Histórias

 

 

 

 

 

8 thoughts on “4 histórias para ajudar seu filho a dormir melhor

  1. Olá Ana Flavia, adorei os contos e seus comentários que muito nos ajudam a entender os medos, e inclusive me remontam a minha própria infância e os medos que tive, . Estava procurando contos assim para minha neta de 5 anos, ela sempre gostou muito de brincar no seu quarto, inclusive estando sozinha, mais uma noite teve um ciclone , e seu quarto ficou completamente destelhado, a partir disso, ela ficou com muito medo de ficar sozinha, com medo da noite …Queria perguntar se tem contos específicos para superar traumas ? Um grande abraço

    1. Olá, Monica!
      Que bom ler a sua mensagem e poder pensar com você em maneiras de ajudar a sua neta. Vou responder de forma geral aqui mas, se quiser falar com mais detalhes e privacidade, escreva para educarcomhistorias@anaflaviabasso.com.br.
      Bem, as histórias usam imagens que atuam no inconsciente do ser humano. Assim, temos que saber escolher as imagens para o efeito que queremos ter. As histórias harmonizam, curam, ajudam a superarmos dificuldades.
      Dois tipos de histórias são excelentes para esse caso: os contos de fadas tradicionais dos irmãos Grimm. Ressalto que são os tradicionais, cujas traduções mantiveram as imagens que eles trouxeram. Não valem resumos, versões, alterações. Os contos de fadas falam sobre o ser humano e seu desenvolvimento, com desafios e superações.
      O outro tipo de história é aquela escrita especialmente para a criança, com um objetivo específico. No caso, a superação de um trauma. Mas uma história de superação de trauma escrita para uma criança nem sempre ajuda outra criança. Saber selecionar as imagens para uma dada criança é a chave.
      Escreva-me e poderei orientá-la melhor.
      Abraços

  2. Ana Flávia,

    Como seu site está rico! Obrigada por tanta beleza, informação, generosidade!
    As histórias para dormir chegaram numa boa hora aqui em casa! Já imprimi e espero começar a praticar o quanto antes.

    Um beijo,

    Kika

    1. Olá, Kika! Que bom que passou por aqui pelo site! Devagar, pretendo trazer temas relevantes para as crianças, suas famílias e educadores em geral. E gostei de saber que esse tema foi abordado na hora certa para a sua família. Além de conhecermos boas histórias para a situação, é preciso compreender mais sobre o sono da criança. Ainda quero aprofundar a questão com outro artigo. Beijos a todos e bons sonhos!

  3. Como sempre, fico encantada com suas histórias. Adorei as explicacoes sobre o sono infantil. Muito obrigada bjs

    1. Olá, Eliana! Que bom que passou por aqui também para conferir este artigo. Fico contente que as explicações sobre o sono tenham sido proveitosas. Quando lidamos com crianças, precisamos compreender um pouquinho de cada aspecto que influencia o seu desenvolvimento. Abraços!

  4. Querida Ana Flávia,

    Muito obrigada por compartilhar conosco um conteúdo tão rico! Além das histórias tão doces, suas considerações sobre a hora do sono são as mais completas e acessíveis que já li (e já li muitas, porque minha filha, desde recém-nascida, apresenta bastante resistência ao sono). Refletirei sobre elas para entrar em ação. 😉

    Forte abraço,

    Bruna

    1. Olá, Bruna! Sua mensagem tão gentil me emocionou. Que bom que o conteúdo que eu trouxe pôde complementar outros aos quais você teve acesso. E, melhor ainda, que você poderá usá-lo com sua pequena! Espero que vocês encontrem um bom caminho em direção ao sono tranquilo e restaurador. Estou escrevendo um artigo complementar, para trazer novas informações. Quem sabe ele não ajudará também? De qualquer forma, se quiser alguma dica específica que possa ajudá-la a compreender melhor o seu caso, escreva para educarcomhistorias@anaflaviabasso.com.br que responderei com prazer. Um forte abraço nas duas, Ana Flávia

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